Um blog leve, solto, bem humorado, mas às vezes contundente, com informações sérias, informações nem tão sérias assim e tudo mais que der na cabeça desse blogueiro, postar.
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
W/Gratidão
Afonso Dantas
Para nós, era uma espécie de guru, praticamente um mago, ou uma espécie de deus.
Um deus da criatividade. Um deus da propaganda. Assim era Washington Olivetto
para quem é de publicidade, a profissão que eu abracei, e que já foi a mais
glamourizada das profissões pelos jovens, inclusive com sua concorrência no
vestibular, sendo mais requisitada que a da tradicional medicina. Eu tive o
prazer de encontrá-lo e conversar com ele, em um festival de publicidade no Rio
de Janeiro, o Wave Festival, no ano de 2008, em um dos locais mais icônicos do
Rio, o Copacabana Palace. Chegamos para o inesquecível café da manhã na charmosa
varanda do Copa, com vista para a praia e para a bela paisagem do Rio, antes do
evento, e fui fazer meu prato, maravilhado com as delícias que o buffet exibia,
quando minha esposa Tiana, sentou-se à uma grande mesa e alguns minutos depois,
um senhor elegante, sentou-se, perguntando se tinha alguém ali. Ela disse que
ele poderia sentar e ela o reconheceu, mas conversou amigavelmente, sem
tietagem. Eu cheguei alguns minutos depois e, com uma mistura de surpresa e
admiração pela presença do ídolo da propaganda, fui cumprimentá-lo, sentei à
mesa e começamos a conversar sobre um assunto que não poderia ser outro em um
festival de propaganda: Futebol. Pois é. Não sei se por que, mas ao invés de
perguntar alguma coisa sobre propaganda ao mestre, perguntei: - E aí, e esse seu
Corinthians, hem? E ele desandou a falar do seu timão e eu também a falar do
meu, o Bahia (BBMP!), onde ele me passou várias ideias, do potencial que o Bahia
teria se fizesse algumas coisas que valorizassem sua origem e sobretudo sua
torcida. E papo vai, papo vem, acabei nem pedindo foto ou coisa parecida para
não o incomodar. Terminado o café, fomos todos para a palestra de nada mais,
nada menos do que do próprio. Uma palestra, para variar, muito bacana e
inspiradora. Olivetto era genial. Descrever sua obra, era descrever a história
contemporânea do Brasil, nas décadas de 70, 80, 90 e começo dos anos 2000. Suas
propagandas faziam parte das conversas e seus bordões faziam parte do nosso dia
a dia. E era mais que um publicitário, era um popstar. No modo de se vestir, no
modo de falar e até no modo de viver. Uma vida de causar inveja e desejo de
pertencer àquele mundo. E isso, em todo o mundo. E para mostrar seu
reconhecimento mundial, os únicos dois comerciais brasileiros que foram
incluídos na lista dos 100 maiores do mundo foram o “Primeiro sutiã” e “Hitler”,
todos os dois disponíveis na internet, junto com vários outros fantásticos e
inesquecíveis, como os estrelados pelo talentoso Carlos Moreno, o “Garoto
Bombril. Além disso, Olivetto entrou para o Hall da Fama da publicidade mundial,
único brasileiro a conseguir essa façanha, sem contar com a conquista de mais de
50 leões em Cannes, o maior prêmio de propaganda do mundo, dentre tantas outras
conquistas. Agora com a sua perda, parece até que perdemos um parente, como
também senti na perda do grande Duda Mendonça, pois cada trabalho em propaganda
que fazia, cada movimento da W/Brasil era acompanhado com afinco, principalmente
em um tempo onde a propaganda era mais recheada de ideias do que de métricas
(Cadê a criatividade?). Perdemos um gênio. Perdemos um artista, um artesão da
comunicação, que com seu talento moldou a propaganda e também alguns costumes do
brasileiro. Quase que enveredou para a indústria musical, mas mesmo assim acabou
influenciando muito a cena musical brasileira. (- Alô, alô, W/Brasil!). Foi-se o
gênio, mas fica o legado e o exemplo a ser seguido. E nossa gratidão por
compartilhar conosco sua criatividade. Que surjam outros Olivettos para
revolucionar o mundo com suas ideias. Viva a criatividade! Viva Washington
Olivetto!
Afonso Dantas é publicitário, sócio e diretor de criação da Camará
Comunicação Total, CEO da Lá ele! Camisas e Coisas, Especialista em Gestão
Cultural, membro da AGRAL, torcedor do Bahia e pai de Maria.
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