A presidente Dilma Rousseff está entre a cruz e a caldeirinha. Iniciou um movimento de limpeza do seu governo e ganhou pontos em popularidade por decidir enfrentar a corrupção. Seguramente, não imaginava que os desvios atingissem, em cheio e rapidamente, o seu principal aliado, o PMDB, que controla o Ministério da Agricultura. Para ela é um desafio: um novo escândalo bate às portas do ministro Wagner Rossi e a presidente terá que tomar uma posição. Ou dá sequência à sua faxina, ou faz malabarismo para não ter que enfrentar o seu poderoso aliado.
O Palácio do Planalto abriu um contencioso com o PR, ao determinar demissões em massa no Ministério dos Transportes. A sua base aliada, ciente que a corrupção passeia de mãos dadas com ela, assumiu uma posição de defesa. Fará de tudo para impedir que Dilma aja de igual modo e ela teme (o temor é espraiado também por Lula) que o troco aconteça no Congresso Nacional, na votação de matérias importantes. A presidente está conquistando a opinião pública, mas sabe que a base de apoio político é determinante.
Ainda esta semana, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, será ouvido na Câmara, agenda que estava marcada desde a semana passada. No final desta semana, porém, surgiram fatos novos, inclusive com o pedido de demissão do secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan, um dos alvos das denúncias. Movimentando-se à sombra, o PMDB tenta se blindar para que não seja alvejado. Ao que parece, a presidente poderá fechar os olhos e nada fazer em relação ao novo escândalo, não tão consistente quando o do Ministério dos Transportes.
Acontece que o PR, que perdeu o seu feudo permeado pela corrupção, quer que o Palácio do Planalto haja com o PMDB usando o mesmo tratamento recebido pela legenda. Dois pesos duas medidas? Esta é a dúvida da presidente. Por ora, o PMDB não dá sinais de reações possíveis, mas se mantém em alerta e está disposto a agir quando lhe parecer mais apropriado.
O problema de Dilma Rousseff se torna maior porque ela está diante além desses problemas internos, da avassaladora (pelo menos por enquanto) crise econômica mundial, a partir da queda de classificação da credibilidade dos Estados Unidos. A principal potência econômica mundial dá sinais de que balança e, com ela, o mundo, Brasil inclusive. Há, no entanto, uma expectativa positiva para o País, porque os problemas daqui não são os mesmos das principais potências, e o principal deles, a inflação, pode ser beneficiado na medida em que as exigências de demanda em relação ao Brasil tendam a cair, porque haverá (supostamente) uma queda de crescimento do PIB dos principais países. Talvez o Brasil seja uma das poucas opções para investimentos internacionais depois do pânico e tensão que se observam no mercado de capitais.
Assim posto, a presidente está com dois flancos a descoberto: a crise econômica mundial e a crise política interna, resultado da gatunagem ampla, geral e irrestrita.
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DUAS SUCESSÕES -I
O comunicador Mário Kertész é candidato já declarado à Prefeitura de Salvador. Só não o será se os partidos oposicionistas não se entenderem, de modo a formar uma corrente que o transforme em candidato único. Foi o que disse e o que o chefe do PMDB baiano, Geddel Vieira Lima, que começou o movimento pró-Kertész, tem repetido sempre que pode. Os partidos oposicionistas, especialmente o dois mais importantes que completam a trilogia com o PMDB, o DEM e o PSDB estão de acordo. Mas, até agora, falam em união oposicionista, sem declarar, porém, o nome do comunicador, a não ser destacando sua competência e experiência.
Na verdade, ainda é cedo. As legendas ainda têm os meses de agosto e setembro, para se definirem em outubro. Ou, até, espichar mais ainda o calendário para o próximo ano. O comunicador está a falar em “céu de brigadeiro e mar de almirante” por onde trafega o governador Jaques Wagner em velocidade de cruzeiro, comandando o seu amplo agrupamento político-partidário sem o menor percalço. Até aqui.
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DUAS SUCESSÕES -II
Para o governador, tal situação lhe permite tamanha tranqüilidade que não tem por que se movimentar ainda. Sua postura é de observador sobre o que se passa no front dos seus adversários, na expectativa de que a união não se faça. Assim não ficará por muito tempo. A oposição ganha espaços na mídia e visibilidade que lhe permite falar não somente sobre a gestão municipal, o objetivo de 2012, como se adiantar para estabelecer críticas à administração estadual, de modo a firmar um discurso que poderá ser utilizado mais adiante, em 2014, além de aluir o poderio governamental.
Portanto, a movimentação sobre a sucessão municipal está abrindo espaços além 2012 e se houver a unidade oposicionista, com uma voz a mais: a de Kertész. O que vale dizer que há grandes possibilidades de que a sucessão estadual surja já na sucessão municipal pelo simples fato de que para deslocar o candidato governista, valerá, também, discutir o que se passa no governo. Em outras palavras, serão dois alvos.
(Samuel Celestino, do Bahia notícias)
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