Publicado por Hagamenon Brito e arquivado em Música, crítica, ideias, lista, pop
Saulo Fernandes, da banda Eva, foi o grande nome do Carnaval baiano de 2012
1. Saulo Fernandes, este foi o Carnaval de Saulo. Desde que lançou o álbum Veja alto, ouça colorido, em 2007, Saulo definiu sua personalidade na banda Eva (que já teve Ivete Sangalo) e iniciou seu processo de amadurecimento estético, (re)criando uma ligação do axé pop com suas raízes negras e investindo no formato canção acima de tudo. Neste Carnaval, ele atingiu a maturidade que imaginou, com uma credibilidade que o liga aos novos compositores e, também, ao Ilê Aiyê e outros pioneiros afros. Ao olhar para o passado, Saulo aponta para o futuro (e a Eva, com músicos ótimos e muito entrosamento, foi a melhor banda do Carnaval).
2. Claudia Leitte. Nenhuma cantora brilhou tanto quanto ela na folia, do figurino às apresentações. A controvertida performance no Rock in Rio, muito mais por causa das declarações da própria artista em redes sociais, parece que fez bem à cantora. No Carnaval baiano, Claudia nunca se mostrou tão segura quanto este ano e, também, mais natural, recuperando uma marca do seu começo de carreira. A maternidade agregou mais simpatia à loira. É assim que se faz: marketing e naturalidade bem dosados.
3. Léo Santana. Rebolation, em 2010, foi um hit nacional, mas no Carnaval de 2011 o Parangolé não brilhou. Uma produção, equivocada, tentou plastificar Léo demais – é preciso não matar a essência, mesmo quando o produto é bem produzido. Em 2012, mais experiente e com uma música interessante (Madeira de lei), Léo mostrou que é mesmo o melhor aluno de Xanddy (Harmonia do Samba) em competência e apelo sensual. E mais: a base percussiva do Parangolé se garante ao vivo.
4. Circulou. Parceria de Magary Lord, Leonardo Reis e Fábio Alcântara, gravada pelo Eva, a música parece saída do repertório pré-axé music de um Pepeu Gomes ou de um Moraes Moreira. Para virar hino de um Carnaval, a axé music já não precisa ser descerebrada e pode emplacar uma canção com D.N.A. de MPB e vocação para tocar durante todo o ano. Ah, Magary Lord, não vá se perder pelos caminhos do showbiz, tá?
5. Tomate. O cantor, às vezes, vacila e Uh, bebê não me parece um hit apropriado para um estado do Brasil que tem os maiores índices de gravidez na adolescência, mas, reconheço, a canção tem força e Tomate tem uma energia pop/axé/rock’n'roll acima da média como puxador de trio. Outro detalhe: ele, assim como Saulo Fernandes, nunca abandonou o circuito Campo Grande, o que criou uma certa empatia sua com o povão.
6. Cansados de guerra. Bell Marques, do Chiclete com Banana, e Durval Lelys, do Asa de Águia, têm muita história na axé music, é fato. Mas, gente estão cansados e demonstraram isso em caras & bocas e nas performances. Bell, paizão, pensa que pode passar o bastão por decreto para Rafa e Pipo: não pode, e ele, no fundo, deve saber disso. Os meninos precisam criar sua própria história. Já Durval, não tem herdeiro.
7. Mala. Daniela Mercury é a rainha da axé music, título conquistado na primeira metade dos anos 90 quando pegou uma cena regional e a projetou com ares pop para todo o Brasil. Com o tempo, porém, a cantora virou uma porta-voz turística (que o diga o DVD/CD Canibália) e uma artista que, na avenida, pensa estar num palco imóvel e faz shows que atrapalham o tempo, a dinâmica de outros colegas e trios. Alguns shows, aliás, têm qualidade estética duvidosa, mas são vendidos como de relevância artística (a ópera jorgeamadiana foi um deles).
8. Marcio Victor. Tenho um caso, ops!, um probleminha com o líder do Psirico. Um monte de gente bacana, incluindo músicos talentosos, me diz que ele é o máximo, que tem uma energia performática incrível, etc. Eu, que devo estar ruim da cabeça ou doente do pé, porém, vejo o Psirico passar (este ano, na Barra-Ondina, domingo, no início da madrugada), e presencio apenas um vocalista/músico com síndrome de neguinha da Ribeira. E com muita briga em volta da passagem da banda.
9. Ivete Sangalo. Depois de alguns anos de reinado feminino incontestável na folia momesca (amo esse clichê!) soteropolitana, a estrela não apresentou novidades e nem conseguiu emplacar a (fraca) música Qui belê. Hora de repensar conceitos, creio.
10. Hagamenon Brito. Criador do termo axé music (anos 80) e frustrado por não ter conseguido lucrar financeiramente com esse rótulo adotado pela indústria musical nacional, o jornalista pirou na couve e quer, cada vez mais, prolongar seus 15 minutos de fama. Sabe Deus onde esta criatura vai parar.
Um blog leve, solto, bem humorado, mas às vezes contundente, com informações sérias, informações nem tão sérias assim e tudo mais que der na cabeça desse blogueiro, postar.
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