Josias de Souza
Dilma Rousseff e Michel Temer conversaram reservadamente sobre eleições municipais. No encontro, a presidente disse ao vice que não cogita envolver-se nas eleições municipais nas cidades em que PT e PMDB estiverem em palanques opostos.
Trataram especificamente do caso de São Paulo, uma praça em que há a perspectiva de um embate entre o petê Fernando Haddad, endossado por Lula, e o pemedebê Gabriel Chalita, apoiado por Temer. “Não vou entrar”, disse Dilma.
A conversa ocorreu semanas atrás. Dilma empregou um vocábulo simbólico para traduzir o tipo de comportamento que tenciona adotar. Conforme relatou Temer a integrantes do seu grupo político, a presidente declarou que vai se portar como “estadista”.
Se for assim, pior para o PT, que esperava exibir Dilma ao lado de Lula nos palanques de Haddad. Um desejo aguçado pelo Datafolha. O instituto atribuiu a Dilma taxa de aprovação de 59% no primeiro ano de gestão. Bateu o Lula do primeiro ano do segundo reinado: 50%.
Levando a intenção às últimas consequências, Dilma adotará diante das urnas um critério diferente do que foi seguido por Lula. Amante dos microfones, o ex-soberano preferiu a política do palanque múltiplo ao distanciamento.
Na teoria, apoiava todos os candidatos filiados a partidos “aliados”. Na prática, nem sempre funcionou. Em 2010, a tática degringolou, por exemplo, na Bahia. Lula prometera apoiar Jaques Wagner (PT) e de Geddel Vieira Lima (PMDB), que brigavam pelo governo do Estado.
Geddel queixa-se até hoje de ter sido preterido. Por Lula e também por Dilma, à época candidata ao Planalto. No plano das relações pessoais, a intenção de Dilma de distanciar-se da refrega de São Paulo é compreensível.
Dilma tem apreço por Haddad, um ministro que, nomeado por Lula, compôs o grupo de auxiliares mantidos na Esplanada no novo governo. Mas não é alheia ao deputado federal Chalita.
O candidato de Temer conheceu Dilma quando ela ainda chefiava a Casa Civil de Lula. Convidou-a para participar de um talk show que mantinha na tevê da Canção nova, entidade fundada e gerida por fiéis da Igreja Católica.
No segundo turno da sucessão de 2010, quando seus antonistas grudaram nela o selo de defensora do aborto, Chalita foi um dos personagens a quem Dilma recorreu. Acionado por Gilberto Carvalho, hoje ministro palaciano, o deputado desceu à sacristia.
Ex-seminarista, Chalita intermediou encontros de Dilma com bispos católicos. Acompanhou-a numa missa celebada na Basílica de Aparecida. Tornou-se, por assim dizer, credor político da presidente. Distanciando-se de São Paulo, Dilma como que zera a fatura.
do UOL.
Um blog leve, solto, bem humorado, mas às vezes contundente, com informações sérias, informações nem tão sérias assim e tudo mais que der na cabeça desse blogueiro, postar.
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