Do politica livre:
O assassinato de um empresário num catamarã em plena madrugada de sábado na Marina de Itaparica é mais uma tragédia anunciada no que foi antes um paraíso que ajudou a Bahia a fazer fama no plano turístico internacional. Afinal, foi antecedido, no prazo de menos de um ano, de dois outros crimes - um ataque, sem vítimas, a uma família inteira e outro assalto a uma casal de velejadores franceses sexagenários, que quase morre, depois de uma surra, todos fatos que este site não se orgulha de ter noticiado em primeira mão.
Mas o relato hoje nos jornais do que se seguiu à barbaridade aponta um quadro arrepiante de descaso como não se imaginava. Primeiro, o corpo do empresário ficou 11 horas exposto no convés do barco em que morreu, num espetáculo macabro e revoltante, à espera de perícia e remoção, entre outros motivos, porque o rabecão não conseguiu fazer a travessia Salvador-Ilha por causa da suspensão de um convênio do governo com a TWA e o motorista não tinha dinheiro para ele mesmo pagar sua passagem e a do veículo.
Tampouco a Delegacia funciona, pelo visto nem de dia nem de noite, porque lá os agentes não botam os pés, ao que se depreende do “bate-boca” travado entre empresários locais e a secretária de Turismo, Cláudia Gordilho, com o delegado, que censura os velejadores que não se abrigam nos contornos da Marina e só agora promete adotar providências contra os subordinados que não foram encontrados em pleno verão nas dependências do posto de trabalho. Simplesmente i-na-cre-di-tá-vel!
Pior é que ninguém no governo dá um pio, como se o lamentável episódio pudesse ser encarado como corriqueiro e seus efeitos - para a sociedade e o turismo - contornáveis. Não há quem se responsabilize por nada, não há quem emita uma opinião, nem uma palavra de solidariedade aos familiares de um empreendedor que perdeu a vida trabalhando. Achar que o papel do governo e de sua precária representação policial, revelada em mais uma ocorrência desastrosa, se encerra com a prisão dos assassinos é de um primarismo desconsolante.
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