Escrito por Ildázio Jr.
FESTA DE RUA, FESTA DE LARGO, FESTA DE BAIANO!
Eu queria saber a quem interessa esvaziar ou acabar com essa coisa maravilhosa que é uma festa de largo! Ou pior, modernizar! O que é modernizar? Modernizar é fazer o que fizeram com as baianas de Amaralina? Eles destruíram uma estrutura que lia o conceito da baiana de acarajé que, ladeadas em um grande círculo, vendiam não só uma comida africana, da tribo, e sim uma Bahia que tanto encanta ao turista e a cada dia vai sumindo! Como entender que os próprios baianos sepultam sua cultura que tanto vendem de boca cheia e peito aberto? Louco, viu!? Mais um pedaço de folclore necessário a todos nós baianos que se foi! Paciência, as pedras do Porto/Farol da Barra injuriaram tantas articulações que o Prefeito se injuriou e retirou! Viva a modernidade!
Modernizar, para mim, é dar estrutura de segurança ao povo! E dar palco as bandas que chamem a galera e também bandas do bairro local da festa! É colocar som, luz, WC químico, dar mídia local, nacional e internacional para que todos vejam a beleza que são nossas festas populares; e que se dirijam para a nossa Terra e aqui gastem seus dinheiros! Agora, tirar os banquinhos de madeira coloridos, os impagáveis nomes das barracas pintados a mão, com seus tapumes coloridos e tanto fotografados e copiados - viraram móveis Cult e caros sabiam? - em seu estilo primitivista. Acho de extremo mau gosto!
Quando me deparei com tanto toldo branco e mesa de plástico ontem no Rio Vermelho, na festa de Yemanjá, simplesmente voltei meus olhos ao povão - esse sim representa o verdadeiro profano, o verdadeiro lúdico para não dizer a maravilhosa esculhambação do baiano comendo água na rua! Tinha muito tempo, acho que uns seis anos que não caía na festa da rua; confesso: é imperdível e tentarei ir a mais algumas no decorrer de minha vida!
As mais diversas formas de se divertir e as mais diversas personalidades do nosso povo peculiar e alto astral! Desde o pai com o filho de dois anos nos ombros e o cachorro vira lata na outra a latir e querendo morder às mulatas e malhados do bloco inteiro, a Dona Firmina Mãe de Santo, dizia ela, com seus ramos de arruda a distribuir e desejar o fim do mau olhado a todos os transeuntes e, depois, pedir R$ 2 para, segundo ela, molhar a goela e livrar o calor!
Uma Kombi-Elétrica com uma banda no teto, formada metade dos músicos com a camisa do Bahia e a outra metade com a do Vitória, patrocinada pelo açougue de Jonas, a barbearia São Luis, com o apoio do mercadinho Vence Tudo! Irado! Marketing Puro e o bloco tava na lavagem divertindo a todos, inclusive a mim que delirei quando vi isso tudo no meio da rua!
Parabéns a valorosa Polícia Militar que rondou muito bem a festa com suas diversas patrulhas e não vi nenhuma confusão em um período de pelo menos “5 horas de relógio” que curti Yemanjá!
Desejar que todos os baianos nunca abandonem essas festas maravilhosas, culturais, antropológicas e, acima de tudo, muito, mas muito divertido é o que penso! Se não foi ainda, ainda está em tempo, VÁ!
Ilds
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