Ao ler esse depoimento, fiquei pensativa. Que tempos são estes em que o sonho da vida de tantos jovens pode ser o de pagar uma plástica, o de fazer qualquer coisa na televisão e ser famoso, de participar do BBB, de ter o corpo perfeito, de ganhar muito dinheiro para consumir e exibir, de ser VIP etc.?
A mulher é a mais atingida por tais valores, vale a pena dizer. De vez em quando fazemos parte do reino animal – as cachorras, as preparadas – e outras, do reino vegetal - mulher samambaia, melancia, abóbora e coisas semelhantes. E tudo isso diz respeito a todos nós e aos mais novos, nossos filhos.
Agora, adaptamos nosso corpo às exigências que a sociedade faz: é preciso ter bunda para ficar bem em determinadas vestimentas, peito volumoso e empinado para provocar desejo, barriga invertida para mostrar, esqueleto enxuto para caber na numeração das roupas que as lojas têm disponíveis. E dá-lhe procedimentos cirúrgicos dos mais variados tipos para se adaptar, dietas mirabolantes, remédios e outras coisas mais. Como disse o irmão da mulher que morreu, a vaidade está sem limites.
O quanto isso interfere na formação da identidade e da auto-imagem de nossas crianças, principalmente das meninas? Mesmo sem perceber, passamos tais valores na educação que praticamos, no comportamento que adotamos, nas coisas que valorizamos. Nossos filhos estão sujeitos a todo esse tipo de influência, direta ou indireta, e já demonstram como incorporam com facilidade os valores que dizem respeito à supremacia da aparência. Adivinhem se as crianças mais gordas são ou não são, quase sempre, as excluídas na escola?
Então, precisamos tomar muito cuidado em relação a essa cultura da vaidade exagerada quando educamos. O preço a ser pago pode ser muito alto para qualquer um de nós, principalmente para os mais novos, que ainda não sabem como se defender dessa avalanche de imposições sobre a aparência. Quem sabe assim, o sonho da vida de muitos jovens possa ser outro que não o de fazer uma plástica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário