16.3.2009
| 11h06m
CARTAS DE ESTOCOLMO
Que aconteceu com Obama na Suécia?
Outro dia, voltaram a me perguntar se a «onda Obama» tinha tido a mesma força na Escandinávia, que aí no continente americano.
A verdade é que se os suecos votassem, Obama teria ganho a eleição facilmente. Com 65% dos votos, segundo uma pesquisa; com 76%, segundo outra. Na Dinamarca, o agora presidente dos Estados Unidos da América teria obtido 79% dos votos, enquanto na Finlândia, «apenas» 59% dos «eleitores» declararam seu voto em Obama.
Não somente por ser o primeiro presidente mulato em um país onde os casamentos interraciais eram proibidos, há apenas algumas décadas.
Não só por chamar-se Hussein, por causa do pai, de família muçulmana no Quênia.
Barack Hussein Obama fez e faz sucesso aqui, entre outras coisas, porque, como disse a manchete de um jornal local, logo depois do seu discurso de campanha em Berlin, «a esperança se chama Obama».
E qual poderia ser o efeito-Obama na Suécia?
A Suécia é uma nação generosa, de pessoas que escolheram, durante décadas, governos abertos à imigração e a acolher refugiados.
Mas há diversos grupos de imigrantes e refugiados, pobres e segregados, nas periferias de grandes cidades suecas. Vide Rosengård, em Malmö, por exemplo.
E se ninguém viu Dogville, o filme do dinamarquês Lars von Triers, ainda é tempo! Porque acolher e integrar imigrantes é uma arte pouco conhecida, de segredos ainda não desvendados.
É de um desses grupos de imigrantes que saiu Zlatan Ibrahimovic, o jogador de futebol cujo nome está na boca do povo sueco, que, com orgulho, festeja o sucesso do atleta. Aliás, foi exatamente em Rosengård que Zlatan viveu sua infância.
Também nasceu no estrangeiro a ministra sueca da integração, a negra Nyamko Sabuni.
Mas, para abrir portas e garantir a igualdade de oportunidades para todos, independente do sexo, da cor da pele ou do lugar de onde veio, precisamos de muitos mais exemplos. Obama teve, sem dúvida, algum efeito...
Só que ainda estou esperando que venha uma grande onda! Será que é só a crise, que atrapalhou tudo?
Leitora do blog, Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental.
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