27-02-2009
Líder dissidente do MST, José Rainha defende tese segundo a qual invadir propriedades públicas ou privadas não é violência, mas instrumento de luta. Fosse original, poderia até ser interessante. Em nada difere, porém, do que advogou no Canal Livre, da Band, João Pedro Stédile, o ideólogo do Movimento, de quem Rainha garante divergir. “Quando a gente não concorda, ataca”, justificou Stédile a destruição do laboratório de pesquisas da Embrapa.
Zangado com o Instituto de Terras de São Paulo, no início da semana Rainha invadiu 21 fazendas, no pontal do Paranapanema. Segundo ele, trata-se de pressão para que se acelere a desapropriação da terra. Como ficou falando sozinho, Rainha acena agora com uma retirada. Se a conversa for retomada, bem entendido. Tem cheiro e cor de chantagem, mas sabe-se lá o que realmente pretende José Rainha com seus velhos e novos seguidores. “Sou contra qualquer tipo de violência”, assegura.
Pode ser, mas há poucos meses passou longa temporada na favela da Rocinha, no Rio. Aproximação com associações de moradores e movimentos sociais, ele disse. Também é possível. Não é segredo, no entanto, que a Rocinha – como outras tantas favelas da cidade – é território minado. As leis que ali vigoram foram plantadas por traficantes de drogas, a expressão máxima da violência que submete o carioca. É por eles que começa a conversa. Só o tráfico concede salvo-conduto a quem pretenda transitar e trocar figurinhas em seu território. Rainha, portanto, tomou-lhes a bênção antes de voltar a praticar suas bondades no campo.
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