| A terceira via | |
Janio Lopo, da Tribuna da Bahia Correntes políticas de colorações diversas acham que o enfrentamento eleitoral de 2010 se dará, mais uma vez, na Bahia, entre a chamada esquerda (que de esquerda, na verdade, só leva o rótulo) e a tradicional direita (que cada vez mais se assemelha a esquerda). Este é um pensamento que perdura no Estado há mais de 40 anos. Até pouco tempo era o carlismo contra o anticarlismo. A morte do senador ACM ainda não foi capaz de mudar a mentalidade de setores mais radicais que insistem em manter viva uma chama que já se apagou. Na prática, vejamos o que pode ocorrer no pleito do próximo ano. O exército comandado pelo governador Jaques Wagner, que disputará a reeleição figurará, no teatro político, como alinhado à esquerda. Já as forças agregadas ao ex-governador Paulo Souto, do Democratas, carregarão o estigma de direita. Assistiremos, muito claramente, lados antagônicos em plena batalha. Pergunto: onde se encaixa o ministro Geddel Vieira Lima (Integração)? Vamos colocá-lo na condição de terceira via. Portanto (não quero ser repetitivo, mas não há outra maneira) teremos o anticarlismo numa ponta (Wagner à frente, mesmo que ele discorde dessa colocação) e o carlismo (Paulo Souto e ACM Neto) na outra. Como se vê, sobra um espaço amplo. Se bem aproveitado, pode render a Geddel a alternativa que o eleitorado almeja capaz de alçá-lo ao Palácio de Ondina. Refiro-me à fatia do eleitor que já encheu o saco dessa história de contra e a favor do carlismo, que teve vida e luz próprias enquanto existiu. Hoje o momento político é outro, embora as viúvas do passado (não sei por que me lembrei de Wagner agora) insistam em cultuar um símbolo que já se foi. O governo baiano renovou – não vou entrar no mérito se para melhor ou para pior – e por isso mesmo cresce a expectativa com relação a 2010. Teremos três candidaturas viáveis se contorcendo pelo comando do Estado? É provável. O PT e o PMDB se afastam a cada dia e não se esforçam sequer para mostrarem o contrário. Geddel já deu sinais mais do que suficientes de que é candidato à sucessão de Wagner. Souto e o DEM andam afinadíssimos e esperançosos de uma vitória. Vendo por esse ângulo, as três candidaturas são um fato consumado. A geleia geral pode vir a depender dos movimentos doravante dados pelos peemedebistas. Para onde eles penderem crescerá as chances de vitória das candidaturas majoritárias. Geddel sabe disso e faz beicinho para Wagner, que retribui defendendo a concórdia e a harmonia entre os dois parceiros – pelo menos até aqui. O Democratas também o quer (a Geddel e seu grupo). No frigir dos ovos, o ministro, óbvio, vai para onde se sentir mais seguro, confortável e politicamente privilegiado. Quem sabe sustentará a sua candidatura e abrirá mais um palanque para Dilma Rousseff na Bahia? Esta é uma possibilidade palpável, independentemente da chiadeira que o PT venha a promover. Para a ministra seria ótimo. Ela teria o PT e o PMDB baianos perfilados em torno de seu nome à Presidência da República. Para Geddel seria também uma experiência fascinante. Impulsionaria ainda mais a sua caminhada pela cadeira de governador, daria preciosos votos para Dilma e, de quebra, continuaria sendo figura de proa no Ministério da Integração Nacional. Deu para entender? |
Um blog leve, solto, bem humorado, mas às vezes contundente, com informações sérias, informações nem tão sérias assim e tudo mais que der na cabeça desse blogueiro, postar.
terça-feira, 7 de julho de 2009
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