quinta-feira, 3 de setembro de 2009

METAMORFOSE MERCADANTE

RIO – Em 1968, nos turvos dias entre a passeata dos 100 mil no Rio e o AI-5, Janio Quadros, cassado e longe de qualquer atividade política, pois tinha ficado fora da “Frente Ampla” de Carlos Lacerda, Juscelino e João Goulart, pediu ao deputado do MDB de São Paulo, Fernando Perrone. um encontro com a esquerda.Queria conversar mais para saber melhor. Perrone, experiente líder estudantil ligado ao Partido Comunista, inteligente e atuante, tinha amigos nos vários grupos da esquerda que começavam a se preparar para a luta armada. Na Primavera de Praga e sua invasão pelos tanques soviéticos, Perrone tinha estado lá e fez um belo e pungente livro-depoimento : - “68 - Praga, São Paulo, Paris. Guerras”
Depois do AI-5, foi para Paris, onde seu apartamento era uma embaixada da esquerda paulista exilada: Aloysio Nunes Ferreira, José Aníbal, Itobi, tantos outros. E Carlos Mariguella quando passava por lá.
PERRONE
O encontro com Jânio, Perrone não quis fazer na casa dele, porque muitos já estavam na clandestinidade. Arranjou a suíte do Hotel Comodoro, no centro, na Duque de Caxias. Jânio e Perrone, legais, chegaram primeiro. Os outros foram entrando, um a um, separadamente, cheios de cuidados.
Um deles estava se separando litigiosamente da mulher, que contratou dois detetives, de máquina fotográfica em punho, para pegá-lo em flagrante de adultério. A mulher, dentro do carro, viu o marido chegar sozinho. Os detetives subiram atrás e tocaram na suíte onde ele entrou.
Como ainda faltava um, Perrone abriu naturalmente a porta. Os flashs das máquinas começaram a pipocar e os detetives gritando:
- Cadê a mulher?! Cadê a mulher?!
JANIO
Não havia mulher nenhuma. Foi uma correria louca, todo mundo fugindo, aos empurrões, escada abaixo. Perrone ficou com Jânio, inabaláveis, sentados a um canto. Com seu uísque na mão, Janio arregalava os olhos e interrogava os detetives:
- Se- nho- res, o que é is-so?! Não es-tou en-ten-den-do! Acreditem-me! Não estou en-ten-den-do na-da!
Eles também não. Foram embora com suas maquinas fotogaficas.
LULA
Quem viu o tremulo, humilhado e patético senador Aloísio Mercadante, sexta-feira, na tribuna do Senado, comunicar que sua “renuncia irrevogável” à liderança do PT não era mais renuncia e muito menos irrevogável, ficou como Janio : sem entender nada.
Afinal, não havia sequer detetives nem maquinas fotográficas para lhe darem um flagrante. Parecia um sequestrado de si mesmo. Era como se estivesse com toda a família refém de alucinados bandidos e ou ele fazia aquilo ou todos morreriam assassinados. E o único assassinato que houve foi da biografia do jovem, esbelto, bigodudo e desfibrado Mercadante.
A carta da Lula para ele é uma das peças mais constrangedoras da historia politica do pais. Não era um pedido. Era um pé no pescoço.
GLOBO
Os jornais contaram que Lula, ainda no Rio Grande do Norte, ao saber da “renuncia irrevogavel”, começou a humilhar Mercadante :
- “Lula evitou ao longo de toda a quinta-feira atender os telefonemas de Mercadante” (Renata Lo Prete, Folha).
- “Por volta das 15 horas, Lula recebeu um telefonema no Rio Grande do Norte avisando que Mercadante ainda não havia anunciado a renuncia e queria conversar com ele antes. Demonstrou irritação :
- “Não adianta. Para que conversar mais?, disse Lula. Ele já tem mais de 50 anos e sabe o que deve fazer” (Ilimar Franco, Globo).
FOLHA
Sem conseguir falar pelo telefone com Lula, Mercadante rastejou. Pediu para ser recebido à noite no palácio do Planalto. Lula o recebeu. Conversaram durante muito tempo. Mercadante queria arrancar de Lula uma carta para tentar disfarçar o recuo da “renuncia irrevogavel”. Mercadante foi embora e Lula foi dormir sem autorizar a carta.
Durante a madrugada Mercadante não deixou o PT dormir. Pediu a todo mundo que pedisse a Lula para autorizar a carta. O ultimo e decisivo apelo a Lula foi do presidente Berzoini. Queria livrar-se de Mercadante. - “Senadores da oposição que telefonaram para Mercadante relataram que o petista já havia desistido de sua “renuncia irrevogável”. Apenas esperava uma carta redigida pelo ministro Luis Dulci, secretario-geral da Presidencia e assinada por Lula, para ele ler em plenario” (Folha).
Chegou a carta arrancada à força, que Mercadante leu envergonhado.
TRAVESTI E GATA
Os jornais e a internet deitaram e rolaram. Ótima sacada foi a “Matamorfose Mercadante”. No “Globo”, o Chico Caruso deixou o espaço da charge em branco.Não precisava mais nada.Fernando Rodrigues(Folha):
- “Para Lula, é conveniente ter um vassalo no cargo”.
Ruy Castro (Folha) : - “O PT se afoga no mangue”. E não foi só Mercadante. No Conselho de Ética, Delcídio Amaral, do PT de Mato Grosso do Sul, com toda a aquela cabeleira de Don Juan, virou travesti:
- “Para votar, Delcídio providenciou livros e revistas para esconder o rosto e usou inusuais oculos de leitura” (Renata Lo Prete, Folha).
A Idelinha, ex-Idelona, parecia uma gatinha. Na hora de votar, miou.
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