Outras empresas se comprometeram com protocolo EU-Pledge, entre elas estão Coca-Cola, Danone, Kellogg's, Kraft, Mars, Burger King, PepsiCo e General Mills
Com cerca de 140 produtos no seu portfólio, muitos deles direcionados ao público infantil, como chocolates, sorvetes, iogurtes e lácteos, por exemplo, a Nestlé toma a frente e se antecipa com projeto de auto-regulamentação próprio relacionado à publicidade infantil. A multinacional suíça suprime definitivamente das suas ações de comunicação mercadológica, da televisão, meios impressos, ponto-de-venda e internet, publicidade dirigida ao target de até seis anos de idade. Entre seis e 12 anos também haverá restrições.O diretor de marketing e comunicação da empresa no País, o executivo Izael Sinem, disse que não muda apenas o formato de comunicação, agora direcionada aos pais, mas também as estratégias de mídia. Os horários de exibição nos canais eletrônicos serão os assistidos pelo público adulto. Nestlé, que tem verba de publicidade de aproximadamente R$ 200 milhões, é signatária do Termo de Compromisso EU-Pledge (www.eu-pledge.eu) que inclui mais 10 empresas: Burger King, Coca-Cola, Danobe, Ferrero, General Mills, Kellogg's, Kraft, Mars, PepsiCo e Unilever. O EU Pledge tem apoio da WFA (World Federation of Advertrisers). “Essa é apenas uma parte da responsabilidade da indústria. Nós temos trabalhado com a Comissão e outros interessados na identificação para a melhor prática da auto-regulamentação, reforçando os códigos de conduta e suportando as crianças com ferramentas que as ajudem a compreender e interpretar a publicidade, pois assim, elas ficam aptas a fazerem escolhas conscientes. Nós continuaremos a trabalhar com os consumidores, pais, governantes e todos os envolvidos em promover um estilo de vida mais saudável”, concluiu Stephan Loerke, diretor da WFA.A Nestlé já promoveu duas reuniões com suas agências (JWT, McCann Erickson, W/, Publicis Brasil e Giovanni+DraftFCB) para detalhar o posicionamento. “Estamos nos antecipando, pois nosso respeito ao consumidor exige postura ética e de conhecimento do mercado. Nossos rótulos já têm muitas explicações sobre o conteúdo dos nossos produtos, porém crianças de até seis anos normalmente ainda não sabem ler e não têm o discernimento para efetuar uma compra. Seus pais têm essa responsabilidade e é com eles que vamos fazer a abordagem. Vamos mudar o conteúdo e também a grade de veiculação”, justificou Sinem. A Nestlé não quis detalhar quais produtos já terão o novo tratamento estético, mas todos os projetos de comunicação a partir de agora já respeitarão as novas regras. Os principais pontos, com base em pesquisa desenvolvida pelo US Institute of Mecicine, são: encorajar a moderação, hábitos alimentares saudáveis e a atividade física; não devem diminuir a autoridade dos pais; não devem enganar as crianças sobre os benefícios potenciais do uso do produto; não devem gerar expectativas irreais sobre popularidade ou sucesso; não devem criar dificuldades para que a criança diferencie o conteúdo do programa e o conteúdo da propaganda; não devem utilizar nenhum tipo de personagem de programas, que não sejam os personagens de direito autoral da empresa, para promover produtos em programas de televisão, filmes, revistas ou material impresso ou websites na internet; em caso de atividades escolares, deverá haver um acordo e consentimento prévio da administração da escola e dos organizadores do evento.A publicidade infantil já vem sofrendo restrições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O foco são alimentos com altos teores de açúcar, gordura e sal. A Anvisa também planeja sugerir à Presidência da República a limitação de horários no rádio na TV para publicidade de artigos infantis e proibir a utilização de personagens infantis em filmes comerciais e também em ações de merchandising.A Anvisa se baseia em estudos da OMS (Organização Mundial de Saúde) que mostra que de 73 países avaliados através de pesquisa, 85% tem regulamentação específica para publicidade infantil. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tem estudo que comprova que em 30 anos que subiu de 4% para 18% a obesidade entre crianças e adolescentes do sexo masculino e de 7,5% para 15,5% entre as meninas.O Conar (Código Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) tem parâmetros para os anunciantes brasileiros produzirem conteúdo publicitário para o público infantil delineadas no Anexo H que trata de Alimentos, Sucos, Bebidas não alcoólicas e Achocolatados (www.conar.org.br). Coca-Cola
A Coca-Cola, que também assinou o protocolo EU-Pledge, informou que há anos a companhia tem como política interna não direcionar campanhas ao público infantil. Mas no primeiro semestre de 2008, foi oficialmente decretada essa posição junto ao ICBA (International Council of Beverages Associations). Desde então, a empresa passou a não direcionar nenhuma ação para jovens com menos de 12 anos de idade. Até essa postura se tornar oficial, no entanto, a Coca-Cola ainda fazia algumas campanhas para o suco infantil Kapo, cujo foco eram crianças nessa faixa etária.Já a Unilever afirmou que não faz publicidade de produtos para crianças e que, desde 2003, está preocupada com a forma de comunicar seus produtos para esse público.por Paulo Macedo
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